28/07/2016

Ovitrampas

O que é uma ovitrampa?

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As ovitrampas são o método mais sensível, específico e barato para monitorar a população do mosquito Aedes aegypti, segundo pesquisa realizada pela Fiocruz a pedido do Ministério da Saúde (veja a pesquisa completa aqui ).

Uma ovitrampa consiste em um vaso plástico de cor escura, com infusão à base de capim colonião (nome científico: panicum maximum), que possui odor desagradável, mas é eficiente para atrair  mosquitos fêmea. Dentro dos recipientes, são colocadas palhetas de Eucatex, com a textura mais áspera voltada pra cima, onde as fêmeas depositam seus ovos.

Apesar de serem chamadas de “armadilhas”, as ovitrampas servem para a vigilância entomológica, ou seja, para estimar a quantidade de insetos em uma determinada área e não para captura dos mesmos.

 

A ovitrampa apresenta risco?

O uso de ovitrampas não apresenta nenhum risco para a população em geral ou para os moradores ou usuários do imóvel na qual é instalada. O ciclo de amadurecimento do Aedes, entre a oviposição e a fase adulta, leva, em condições ideais, no mínimo nove ou dez dias. Deste modo, pode-se optar pela retirada da ovitrampa antes deste prazo, ou seja, em uma semana, caso no qual não há perigo de construção de um criadouro acidental. Caso se decida por períodos mais longos de exposição, por exemplo em locais de difícil acesso ou com escassez de mão de obra, como períodos quinzenais ou mensais, deverá ser adicionada à água da ovitrampa um produto larvicida. Normalmente é utilizado o BTI, que é um larvicida biológico, que não apresenta nenhum risco para o ser humano ou para animais, além de ser altamente específico para as larvas do Aedes.

 

Qual a vantagem da ovitrampa com relação à outras armadilhas?

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A pesquisa realizada pela Fiocruz, a pedido do Ministério da Saúde, foi desenvolvida para subsidiar a escolha de novas formas de monitoramento no país. Além de avaliar as chamadas adultrampas, armadilhas comercialmente vendidas para captura de fêmeas adultas do mosquito, também foram avaliadas as ovitrampas, consideradas as armadilhas mais sensíveis e específicas para a finalidade de monitoramento do mosquito. De acordo com Denise Valle, pesquiadora do Laboratório de Bilogia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz, apenas a ovitrampa encontrou os mosquitos em todas as situações pesquisadas. Já as demais armadilhas tiveram alguns resultados falso-negativos, uma vez que havia insetos no local, mas elas não conseguiram capturá-los.

“Hoje, a pesquisa larvária é usada como padrão, mas nosso estudo apontou que este é o método menos eficiente para avaliar a infestação por Aedes aegypti. Este índice, além de identificar larvas, e não mosquitos adultos, diretamente, depende muito da busca ativa dos agentes de vigilância, que precisam identificar os criadouros do mosquito para encontrar as larvas. Observamos que todas as armadilhas testadas são mais sensíveis do que a técnica atual”, afirma Denise Valle.

 

O processo de monitoramento por ovitrampas

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O processo de monitoramento por ovitrampas é feito por meio da distribuição das armadilhas georreferenciadas pela região alvo em intervalos de 100 a 400 metros. Portanto, cada ovitrampa cobre um raio de 50 a 200 metros. As armadilhas ficam expostas por um período mínimo de uma semana. Ao final deste prazo, as palhetas de oviposição são recolhidas e levadas para laboratório para contagem do número de ovos. Novas armadilhas são colocadas no mesmo local de modo a tornar o processo contínuo. As armadilhas também podem ser utilizadas para o monitoramento de pontos estratégicos tais como ferros-velhos, depósitos de materiais, empresas de reciclagem, garagens e depósitos de veículos e cemitérios.